Comprar barato no atacado é só metade do jogo. A revenda com lucro depende de precificar certo: muita gente vende bastante, gira estoque e no fim do mês descobre que quase não sobrou nada. O problema raramente é o preço de compra — é a conta que ficou faltando.
Margem e markup: não confunda os dois
Markup é o multiplicador que você aplica sobre o custo. Margem é o percentual de lucro sobre o preço de venda. São coisas diferentes, e trocar uma pela outra derruba seu ganho.
Exemplo: um produto custou R$ 20. Se você quer 50% de margem, o preço não é R$ 30. A conta certa é o custo dividido por (1 menos a margem em decimal): 20 ÷ (1 − 0,5) = R$ 40. Aplicar "50% em cima do custo" dá só 33% de margem real.
- Markup 2x (dobrar o custo) equivale a 50% de margem.
- Markup 2,5x chega perto de 60% de margem.
- Fórmula rápida do preço: custo ÷ (1 − margem desejada).
Os custos ocultos que comem o lucro
O erro clássico é calcular só sobre o valor do produto. O custo real inclui bem mais:
- Frete e deslocamento até o fornecedor, diluídos por peça.
- Taxa da maquininha (débito, crédito e parcelado) e o Pix, quando tem custo.
- Embalagem, sacola e etiqueta.
- Imposto, como o DAS do MEI, se você for formalizado.
- Perdas, trocas e peças paradas que encalham na prateleira.
- Anúncios e o seu próprio tempo de atendimento.
Some tudo isso ao custo da peça antes de aplicar o markup. Uma taxa de cartão de 4% e um frete diluído de R$ 2 por item parecem pouco, mas corroem a margem de quem trabalha com preço apertado.
Erros comuns que travam a revenda com lucro
- Copiar o preço do concorrente sem saber o custo dele.
- Dar desconto no olho, sem checar se ainda sobra margem.
- Ignorar o custo fixo (aluguel, internet, energia) na hora de precificar.
- Usar o mesmo markup para tudo, sem separar giro rápido de item de nicho.
Uma dica prática: defina uma margem mínima aceitável e nunca venda abaixo dela, nem em promoção. Produto de alto giro pode ter margem menor porque vende volume; item exclusivo aguenta markup maior.
Precificar bem começa antes da venda, na hora da compra. Ter os fornecedores organizados por nicho, com contato direto e localização à mão, ajuda a comparar o custo real entre lojas e negociar melhor — e é essa base que sustenta o resultado no dia a dia.